11 de fevereiro de 2014

O Fim dos Tempos - Cap. 09 (Casamento)

Fim dos Tempos
Capitulo 09


Casamento: União legítima de homem e mulher. / Cerimônia ou festa em que se celebra esta união; casório. / União, combinação, aliança.
Então, finalmente, André poderia descansar de fugir dos militares. Nisso, já tinha se passado três meses desde o dia em que teve aquele terremoto no mundo todo e a lua tinha ficado vermelha. Também já tinha se passado três anos e nove meses desde que esse homem em particular começou a “reinar”. Já tinha se passado mais ou menos quatro anos, desde aquele dia em que milhões de pessoas desapareceram no mundo inteiro de forma inexplicável. O mundo ainda estava totalmente coberto por aquelas nuvens de cinzas vulcânicas, a comida estava começando a acabar, a água também começa a ser mais poupada, pois um terço das águas doces do mundo foi envenenado, e o resto, estava poluído.
A senhora e a moça que acolheram André em sua casa se chamavam Clarice, a moça, e Jordana, a senhora.Elas convidaram André para ficar ali pelo resto do dia só por segurança. Podia ser que os militares ainda estivessem esperando por André.Na casa de dona Jordana a TV tinha que ficar ligada, pois, com todos aqueles acontecimentos ao redor do mundo nos últimos meses, elas tinham que permanecer atualizadas sempre que possível. André passou o resto do dia ali e foi muito bem tratado.
Quando chegou à noite, Clarice achou melhor que André passasse à noite ali, pois já estava tarde e era perigoso andar pelas ruas à noite, já que aquela cinza ficava caindo o tempo todo. No dia seguinte, quando ele estava indo embora, dona Jordana chegou dizendo:
André? Aonde você vai?
André:
Já tenho que ir, dona Jordana. Sinto muito, mas não quero meter vocês em encrenca com o governo.
Jordana:
Não! Espere! O carro dos militares ainda está aí fora!
André, então olhou lá fora sorrateiramente e viu o carro estacionado há alguns metros da casa. Ele pensou: “Mas que droga...” Clarice aproveitou a chance e disse:
É melhor você ficar! Quer dizer... Você pode ficar mais, se você quiser.
André acabou tendo que aceitar e ficou mais aquele dia ali. No dia seguinte, o carro ainda estava lá e ele teve que ficar mais aquele dia na casa daquelas moças. Pelo menos elas estavam sendo gentis... Naquela noite, André percebeu que a moça era muito gentil com ele e podia ser que ela estivesse gostando dele. Ele também tinha achado ela muito bonita: Uma moça de corpo proporcional, cabelos cortados na altura dos ombros, olhos castanhos, pele clara... Era atraente. Então, chegou um momento, depois que ela veio trazer-lhe um suco no quarto de hóspedes, em que ele teve que dizer. Ela já ia saindo, quando ele disse:
Clarice.
Ela olhou e ele continuou:
Escuta... Eu agradeço o jeito que vocês estão me tratando aqui, como vocês me receberam bem... Eu realmente agradeço.
Ele ficou meio relutante e Clarice acabou tomando a palavra:
Que isso, André...? Nós... Nós é que estamos felizes em ter um rapaz tão... Quer dizer... Como você aqui em casa. Sabe? Pra não ficarmos sozinhas aqui.
André:
Eu sei. Mas não é disso que eu estou falando. Eu já tinha reparado uma coisa e queria te dizer o que eu penso. Você está gostando de mim?
Clarice ficou meio surpresa e sem jeito com a pergunta direta, mas resolveu dizer:
Ah... Bem... Se... Se você... Quer dizer... Bem, eu... Como eu posso dizer? Acho que sim.
André:
Bom... Você sabe que não tem como, não é? Porque tem essa lei aí que proíbe o casamento e...
Clarice interrompeu, dizendo:
Não, mas nós não precisamos nos casar. A gente pode apenas ficar... Namorando. Não é melhor?
André:
Não. Não é. Eu acho que você está se esquecendo, mas eu sou um homem de Deus e não faço esse tipo de coisa. Uma relação entre nós dois não pode acontecer por dois motivos. Primeiro: A bíblia diz que não é bom que haja casamento entre um crente e um descrente. E segundo: O anticristo decretou que é proibido se casar. E, se você diz que tudo bem nós apenas namorarmos...
Clarice:
Nossa... Eu só estava pensando em... Sei lá. Um passo de cada vez. Primeiro o namoro e depois...
André:
Eu sei, mas eu não namoro e... (Suspiro) Enfim...
Para André, esse era o caminho correto, mas agora ele tinha que admitir que ele se encontrava em uma situação diferente onde a humanidade estava indo para seu fim e podia ser a última chance que ele tinha de ter esse tipo de relacionamento. Então Clarice disse:
Não... Eu entendo. Se nós pudéssemos, eu me casaria com vo... Ehh... Quer dizer... Digo... Tudo bem pra mim, sabe? Eu não me importaria, mas não dá.
André continuou olhando-a, pensativo, e ela completou:
Não sei por que esse cara foi inventar essa lei... “Pra evitar o nascimento de futuros cristãos” uma ova! Rum... Você acha mesmo que ele é esse tal de anticristo que você falou ontem?
André:
Tenho certeza. Desde o dia em que todas aquelas pessoas desapareceram no mundo todo, eu já sabia do que se tratava. E... Desde o dia em que houve aquele terremoto no mundo todo e a lua ficou vermelha... Bom... Pelo que eu sei, só nos resta mais 39 meses.
Clarice:
39 meses pra quê?
André contou a Clarice o que aconteceria no final desse tempo e ela ficou ouvindo como quem ouve uma história de terror, ou como quem vê uma notícia chocante na TV. Então, no dia seguinte, depois que André viu que os militares já tinham ido embora, ele também teve que voltar para sua casa. Quer dizer... Para seu esconderijo. Naquela loja onde ele se escondeu dos policiais da primeira vez tinha uma porta secreta atrás de uma prateleira nos fundos. Parece que o antigo dono tinha um clubinho secreto acontecendo ali. Havia uma prateleira de bebidas, um balcão, alguns bancos, umas mesas e uns toca-discos no andar de baixo. André estava usando aquele lugar como esconderijo por enquanto.
André vinha caminhando pela rua apertada entre dois prédios de tijolos pequenos e ainda estava pensando no que Clarice havia lhe dito. As cinzas continuavam caindo insistentemente do céu, mas ele estava com seu blusão. Sem capuz, dessa vez. Ele ia chegando ao seu esconderijo. Tirou as chaves do bolso, quando viu alguém encostado na parede logo mais a frente. Ele parou de repente e ficou temeroso do que fazer. Guardou as chaves no bolso, colocou o capuz e foi caminhando na direção do homem que estava logo em frente como se fosse passar direto por ele. Mas então o homem se virou e o viu. O homem disse:
Ah. É você. Eu estava te esperando.
André parou e perguntou:
Quem é você?
O homem também estava com blusão de capuz. Mas então ele tirou o capuz e André pode ver que era o rapaz com quem ele trombara na frente do mercado outro dia. André disse:
Você...
O rapaz:
É, eu... Resolvi vir atrás de você pra... Quer dizer... Eu não entendi direito aquilo que você me disse, outro dia. Tem mesmo um pagamento acontecendo por trás de todas essas matanças?
André fica feliz em vê-lo ali e diz:
Vem. Vamos entrar. Não é bom falarmos disso aqui fora.
André olhou para as sacadas acima deles, mas não viu ninguém espionando. Então disse:
Vamos. Tem um lugar quentinho aqui.







“(Daniel 11:37) Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem a qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá.”


Continua...

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